segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Isenção de ICMS para banda larga vigora só em sete Estados


Por Daniel Rittner



Ana Paula Paiva/Valor/Ana Paula Paiva/ValorJúlio Semeghini, secretário de Gestão Pública do Estado de SP: “As coisas não têm funcionado como deveriam”

Apenas sete Estados, que representam 49% da população brasileira, colocaram em prática a isenção de ICMS para baratear e ampliar a oferta de banda larga no país. A desoneração do imposto estadual é peça-chave para expandir e baixar a menos de R$ 30, como deseja a presidente Dilma Rousseff, o serviço de internet em alta velocidade. Mas a renúncia fiscal, por ter saído antes dos acordos firmados entre as teles e o governo federal, nem sempre estabelece como prerrogativa a velocidade mínima de 1 megabit por segundo (Mbps) exigida pelo Plano Nacional de Banda Larga.
Na prática, pode acabar ocorrendo uma sobreposição de esforços para popularizar o acesso à internet, sem os melhores resultados possíveis. Onde há isenção de ICMS sem exigência de alta velocidade, as teles oferecem pacotes abaixo de R$ 30, mas dificilmente superiores a 512 kilobits por segundo (kbps). Onde não há desoneração, e o PNBL for implantado, a velocidade chegará a 1 Mbps, mas com preço de R$ 35.
"O ideal é que os governadores revisem a isenção, ampliando a faixa para 1Mbps", sugere Paulo Mattos, diretor de regulamentação da Oi. Ao todo, 14 governos estaduais já assinaram a adesão ao convênio 38/2009 do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), que prevê a desoneração de ICMS. Só metade, no entanto, regulamentou a decisão por meio de decreto: São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Paraná, Goiás, Pernambuco e Pará.


No fim de setembro, a Oi chegará aos primeiros 300 do total de 1.200 municípios a serem atendidos no âmbito do PNBL, até junho de 2012. Mas, justamente pelo descasamento entre o programa federal e os incentivos estaduais, privilegiará localidades que tenham baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e isenção de ICMS.
Dessa forma, em vez de um pacote de banda larga a R$ 35, a operadora poderá oferecer velocidade mínima de 1 Mbps a R$ 29,80. "Parece pouca diferença, mas não é", diz Mattos, lembrando que o orçamento de muitos assinantes está comprometido pela compra de um computador em parcelas. "A chave do sucesso é aliar preço e velocidade."
Em estudo encomendado recentemente à LCA Consultores, o SindiTelebrasil, entidade que representa as operadoras de telefonia fixa e móvel, calcula que o número de acessos em banda larga no país pode mais do que triplicar até 2020, caso haja incentivos à demanda. Esses incentivos envolvem não só a retirada de tributos, mas o uso de fundos setoriais e a expansão de telecentros.
Já em 2014, segundo estimativas do SindiTelebrasil, o número de acessos pode saltar dos atuais 43,7 milhões para 57,3 milhões. Se houver incentivos, esse total passaria para 78 milhões.
O governo de Goiás lançou, em julho, programa de banda larga popular com preço inferior a R$ 30, conexão de 512 kbps e modem gratuito. Essa velocidade é menor do que a exigida pelo PNBL, mas representa velocidade "15 vezes mais rápida do que a internet discada", diz o secretário de Ciência e Tecnologia, Mauro Fayad.
O governo exigirá aumento da velocidade para 1 Mbps a partir de setembro, para manter a isenção de ICMS, a fim de acompanhar o plano federal. Oi e Net já aderiram ao programa, que vale para os 245 municípios do Estado. A GVT está em processo de adesão, diz Fayad.
Quem mais avançou até agora foi São Paulo, que implementou a isenção de ICMS há quase dois anos, para a oferta de serviço entre 200 kbps e 1 mega. Os planos são vendidos a R$ 29,80 por mês e incluem o modem. Houve 700 mil assinaturas da Net, 180 mil da Telefônica e 30 mil da Embratel. Esse cálculo inclui os chamados "combos", nos quais o assinante atrela a internet ao serviço de telefonia fixa e TV por assinatura, em um mesmo pacote.
"Mesmo com o Plano Nacional de Banda Larga, as coisas não têm funcionado como deveriam", diz o secretário de Gestão Pública, Júlio Semeghini, responsável no governo paulista pelo programa de popularização da internet. Ele adianta que, em até 40 dias, terá um mapeamento completo do investimento das operadoras, incluindo valores, datas e localidades contempladas. A partir disso, a secretaria montará um plano de investimentos públicos para municípios não contemplados.
"Queremos garantir que, nos próximos dois anos, todos os municípios de menos de dez mil habitantes em zonas urbanas tenham acesso à banda larga popular", afirma. Segundo ele, 230 cidades têm esse limite de população e começam a ficar excluídas de novos investimentos privados, por falta de infraestrutura adequada de telecomunicações.
É o caso da região de São José do Rio Preto, onde se instalaram indústrias de móveis, que precisam de conexão rápida de internet para viabilizar seus negócios. "Além disso, no mundo do agronegócio, a banda larga se tornou fundamental", diz o secretário. Se o mapeamento indicar que as atuais operadoras não pretendem chegar a todos os municípios, o governo paulista convocará outras empresas, oferecendo financiamento e isenções de impostos. "Vamos bancar a infraestrutura a longo prazo."
De acordo com técnicos do Confaz, uma das dificuldades para espalhar a isenção de ICMS a outros Estados é a prática de planejamento tributário, à qual muitas operadoras recorrem para reduzir o valor do imposto. O governo da Bahia, por exemplo, diz que as empresas devem cerca de R$ 500 milhões ao fisco estadual.
Além dos sete Estados que já implementaram a isenção de ICMS para banda larga, o Distrito Federal e outros seis já aderiram ao convênio do Confaz, mas ainda não regulamentaram a medida: Acre, Amapá, Ceará, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Sergipe.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

3G desafia Nextel a buscar equilíbrio entre escala e lucro


Talita Moreira | De São Paulo

19/08/2011
Texto:-A +A

Vitor Salgado/Valor
Sérgio Chaia, presidente da Nextel: companhia vai reproduzir em 3G seu modelo baseado em vendas para grupos
A estreia da Nextel na telefonia móvel impõe um desafio à empresa: conquistar assinantes em um mercado que não domina sem danificar o modelo de negócios que tem garantido, a cada ano, crescimentos de 40% na receita e bons indicadores de lucratividade.
É tentador pensar que o melhor a fazer é assegurar a rentabilidade, ainda que isso signifique ganhar menos participação no mercado. O discurso da Nextel vai nessa direção. "Não vamos entrar no mercado do pré-pago de R$ 3", disse ontem o presidente da operadora, Sérgio Chaia. Hoje, as vendas estão concentradas em assinantes empresariais, mais rentáveis.
Mas essa decisão também tem implicações, que podem levar a companhia a uma encruzilhada no futuro. Com a entrada na terceira geração (3G) da telefonia móvel, prevista para a segunda metade do ano que vem, a Nextel espera triplicar sua base de assinantes até 2015. Trata-se de um aumento considerável frente ao patamar atual: a empresa fechou junho com 3,7 milhões de clientes do serviço de radiochamadas (aquele em que o usuário aperta um botão para falar e o solta para escutar o interlocutor do outro lado da linha).
Companhia vê espaço para atuar sozinha, apesar da tendência de consolidação entre as empresas do setor
A empresa revisou para cima essa projeção. No fim do ano passado, a Nextel projetava dobrar sua base de usuários com a estreia da 3G. Ainda assim, a operadora será muito pequena perante as demais concorrentes: daqui a cinco anos, ela terá cerca de 10 milhões de assinantes. Hoje, o Brasil tem mais de 220 milhões de celulares.
Nem todos os clientes geram receita para as teles. Muitos têm um pré-pago, mas raramente ou nunca compram créditos para usá-lo. Não por acaso, a Oi cancelou mais de 6 milhões de linhas inativas no segundo trimestre para limpar sua base.
Apesar disso, ter um grande volume de assinantes é um objetivo perseguido por qualquer operadora, pois isso representa escala e maior poder de fogo nas negociações com fornecedores de infraestrutura e aparelhos de celular.
Paralelamente, as operadoras estão se consolidando em grandes grupos com atuação em telefonia fixa, celular, banda larga e TV paga. A estratégia é vender pacotes com vários desses serviços. Esse movimento vai se acentuar com a aprovação, no Senado, esta semana, do projeto de lei que abre o mercado de televisão a cabo para as teles.
"Não é imprescindível [ser uma operadora multisserviços]", destacou Chaia. Mesmo assim, o executivo ponderou que a companhia estuda essa tendência "de maneira profunda". Para alguns analistas, seria viável uma parceria entre a Nextel e a GVT ou a Sky.
A rede 3G da Nextel vai estrear inicialmente nos 12 Estados em que a empresa já atua, incluindo São Paulo, Rio, Minas Gerais e Distrito Federal. A previsão é cobrir o resto do país no ano seguinte. A operadora investirá R$ 5,5 bilhões na rede e na infraestrutura de radiochamadas, que será mantida.
A estratégia da Nextel é replicar, na telefonia móvel, o modelo de negócios que adota no segmento de radiochamadas: concentrar as vendas em empresas e grupos de clientes. "Vamos crescer de dentro para fora, com um assinante indicando o outro", disse Chaia.
Hoje, a empresa é obrigada a fazer isso. Pelas regras do serviço de rádio, ela só pode prestar serviços a empresas ou pessoas físicas que constituam um grupo com atividade em comum. O plano da operadora é, com a 3G, expandir esse conceito a famílias e amigos, por exemplo.
As concorrentes alegam que a Nextel já faz isso, de forma indevida. No mês passado, a Justiça do Rio proibiu a empresa de fazer novas vendas a pessoas físicas não vinculadas a um grupo, em ação movida pela TIM. A decisão, de primeira instância, só terá efeito prático quando o processo for julgado. A Nextel apresentou recurso.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

50 MVNOs em dois anos no Brasil

Nos próximos dois anos, o mercado brasileiro terá de 40 a 50 operadoras móveis virtuais (MVNO, sigla em inglês de mobile virtual network operator) em atividade. É o que aposta um especialista no setor, Liudvikas Andriulis, diretor de Marketing da companhia belga Effortel, responsável por MVNOs de sucesso na Bélgica, na Polônia, na Itália e em Taiwan. Participante do Amdocs InTouch Business Forum 2011, congresso realizado no mês passado em Miami (EUA), Liudvikas falou sobre a chegada das empresas ao Brasil.

Segundo o executivo, por mais que pareça um exagero, o número é compatível com o tamanho do mercado brasileiro. "O Brasil tem muito potencial devido à diversidade observada no país. Há muitos estrangeiros e muito dinheiro circulando por lá", avaliou.
Esse dinamismo observado por Andriulis é justamente o que as operadoras móveis virtuais procuram. Elas atuam em nichos específicos, aproveitando segmentos pouco atraentes para as grandes empresas. O modelo de negócio está baseado no aluguel da infraestrutura existente de outras companhias do setor, como antenas, rádios, torres, cabos de fibras, frequência e equipamentos necessários para a comunicação dos usuários.

A aprovação da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), no fim do ano passado, deu o sinal verde para a entrada no Brasil das MVNOs, já conhecidas no exterior. Com isso, grandes marcas, como instituições bancárias e empresas de varejo, poderão passar a vender seus próprios aparelhos e planos diretamente para os clientes. Porém, mais do que acirrar a competição pela melhor tarifa, essas marcas pretendem usar o celular como uma nova ferramenta de fidelização de usuários.

Liudvikas citou exemplos de como o modelo está sendo usado no exterior pelo Carrefour. Com o chip vendido nas lojas da rede, o custo de adicionar um cliente é praticamente zero. No momento da compra, o consumidor ainda pode ganhar créditos de minutos dependendo do valor da compra. "As pessoas acabam levando mais algumas coisas para ganhar mais minutos", assegurou.

Números

Hoje, existem aproximadamente 700 operadoras móveis virtuais em atividade no mundo, que correspondem a 2% do número total de usuários de celular. Comandada pelo bilionário britânico Richard Branson, o grupo Virgin anunciou que terá uma MVNO no Brasil. O país é o foco número um das operações da companhia na América Latina, que será montada em parceria com a Tribe Mobile e consumirá investimentos de US$ 300 milhões nos próximos cinco anos.

De acordo com o presidente da Tribe Mobile, Phil Wallace, a atuação no Brasil só deve se concretizar em 2012. Antes, a empresa precisa obter as licenças na Anatel e fechar uma parceria que proporcionará a infraestrutura de serviços. Pelas regras do segmento, só podem atuar no país empresas que firmem contratos com as companhias que já atuam no mercado, como Vivo, TIM, Claro e Oi.
Do Estado de Minas

Para Oi, concessionárias do STFC devem ser consideradas entrantes em TV a cabo

A Oi se valeu de uma extensa nota técnica assinada por Gesner Oliveira, Wagner Heibel e Pedro Scazufca para apresentar suas contribuições à consulta pública n. 31 que propõe um novo regulamento para o serviço de TV a cabo. Fica claro a preocupação da operadora de que, a despeito de sua extensa rede de telecomunicações para prestar serviços de telefonia e banda larga, ela não seja considerada PMS no mercado TV por assinatura.

A definição das empresas com PMS e dos mercados relevantes constará do Plano Geral de Metas de Competição (PGMC) em elaboração pela Anatel. A Oi, entretanto, desde já coloca suas considerações sobre o assunto. Para a operadora de acordo com a metodologia de análise antitruste, de onde o conceito de PMS foi retirado, a participação de mercado é uma condição necessária, mas não suficiente para a definição de mercado relevante. “Assim, deve-se tomar cuidado para que empresas que detêm PMS em outros mercados relevantes de telecomunicações, mas que têm participação de mercado insignificante no serviço de TV por assinatura, não sejam erroneamente classificadas como PMS no serviço de TV a cabo”, diz a companhia. Vale lembrar que essa dúvida já foi colocada por este noticiário aos técnicos e conselheiros da Anatel, pois a redação do regulamento em consulta dá a entender que qualquer PMS será suficiente para que sejam colocadas condiçòes assimétricas na operação de TV por assinatura, como obrigações de cobertura. A resposta dos técnicos, em princípio, é que isso valeria apenas para quem tivesse PMS em TV paga. Posteriormente, a informação foi retificada, no sentiido de que qualquer PMS seria suficiente para que a operadora pleiteante fosse enquadrada nas obrigações previstas.

Parte relevante de sua rede, segundo a Oi, ainda é composta por par metálico, infraestrutura indicada para transmitir sinais de baixa frequência. Para prestar serviço de TV a cabo, a Oi informa que precisaria trocar o meio de transmissão o que exige elevados investimentos. “Deste modo, mesmo que se desprezasse a metodologia antitruste supondo-se, incorretamente, que empresas entrantes poderiam deter poder de mercado, os elevados investimentos que as concessionárias do STFC Local devem realizar na adequação de suas redes de acesso local para prestação do serviço de TV a cabo desautorizariam sua classificação como detentoras de PMS”, diz a operadora.

Outra preocupação da companhia se relaciona com a definição do mercado relevante. Para a Oi, o mercado relevante deve ser considerado todo o mercado de TV por assinatura, o que inclui o serviço prestado por outras tecnologias. Assim, não faz sentido impor obrigações de atendimento apenas para o serviço de TV a cabo às empresas detentoras de PMS, “sob o risco de causar graves distorções nas condições competitivas”. “Não faz sentido que obrigações relativas ao índice de cobertura recaiam apenas sobre operadoras de TV a cabo, mas sim sobre todas operadoras do serviço de TV por assinatura”, diz a nota técnica. Uma das obrigações impostas para as operadoras com PMS é o atendimento de 100% do índice de cobertura (IC) para municípios com mais de 100 mil habitantes. Para operadoras sem PMS, a obrigação restringe-se ao atendimento de 25% do IC.

quinta-feira, 31 de março de 2011

MVNO no Linked in

Grupos para discussão do MVNO


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Grandes varejistas e bancos pedem à Anatel para ser operadoras virtuais

Empresas como Pão de Açúcar, Carrefour, Itaú e Bradesco pretendem vender serviços de telefonia móvel usando a infraestrutura das grandes operadoras

Sabrina Valle, de O Estado de S.Paulo
RIO - A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) calcula que o recém-criado mercado de operadoras virtuais deve passar a representar, em até três anos, de 20% a 30% da telefonia móvel - um setor que, no ano passado, movimentou R$ 74 bilhões.

A TIM e a Porto Seguro já fecharam parceria. Carrefour, Pão de Açúcar, Estácio, Banco do Brasil, Caixa Econômica, Bradesco e Itaú estão entre as empresas que entraram na fila ou já mostraram à Anatel interesse no modelo, conhecido pelo nome em inglês Mobile Virtual Network Operator (MVNO).

A conselheira da Anatel Emília Ribeiro afirma que a agência recebeu, este ano, 20 pedidos de empresas para homologação ou autorização de MVNO, que permitirá que companhias fora do setor de telefonia atuem também como operadoras.

Isso significa que supermercados, bancos e até times de futebol poderão oferecer linhas de celular de marca própria, com contas pré e pós-pagas e internet, tal como fazem hoje Claro, Nextel, Oi, TIM e Vivo.

"Uma loja de lingerie, por exemplo, pode oferecer um pacote de minutos vinculado a quanto o cliente gasta em compras", exemplifica Emília, relatora da regulamentação aprovada em novembro passado. "E o aumento da concorrência em geral certamente levará à redução de preços." Em três anos, Emília estima que centenas de empresas terão se aventurado pela telefonia celular e se tornado operadoras virtuais.

A largada foi dada com a Porto Seguros, a primeira a obter o sinal verde da Anatel, em fevereiro. A seguradora fechou parceria com a TIM e já está em fase de implementação do serviço que vai oferecer nos próximos meses a clientes e corretores. "Vários países já têm MVNO. Onde existe, funciona e dá certo e só tem progredido", diz Emília.

Infraestrutura. As novas operadoras virtuais usarão a rede das operadoras tradicionais. O supermercado, o banco ou a loja de varejo poderão usar suas marcas isoladamente ou associadas com a operadora de origem. BB, Bradesco, Caixa e Itaú estudam, inclusive, oferecer celulares com a logomarca impressa no aparelho.

A regulamentação é ampla para que o próprio mercado encontre a melhor forma de associação, mas há dois modelos básicos em questão. No primeiro, o time de futebol, por exemplo, faz apenas um credenciamento junto à Anatel e estabelece o vínculo diretamente com a grande tele do setor, já autorizada pela agência e com direito de uso de radiofrequências. O vínculo é formalizado por um contrato de representação, homologado pela Anatel.

Neste caso, o credenciado não é um prestador de serviços de telecomunicações e a maior carga de responsabilidade é assumida pela prestadora de origem. É ela a responsável, junto a usuários e Anatel, pelo cumprimento dos direitos dos consumidores. Os números de telefone oferecidos serão aqueles cujo direito a operadora já detém e os usuários do serviço serão, em última análise, usuários da Claro, Nextel, Oi, TIM ou Vivo.

No segundo modelo, o operador virtual pede uma autorização (e não um credenciamento) e assume mais responsabilidades junto à agência e aos consumidores. "A única diferença é que as empresas não terão direito de uso de radiofrequência", diz Emília. Reclamação sobre o serviço, nesse caso, seria com o próprio supermercado ou varejista, por exemplo. As empresas também podem solicitar números de telefone direto à Anatel.

Autorizada. Essa foi a opção da Porto Seguro. Como autorizada, a seguradora é considerada uma prestadora de serviços, com um contrato de compartilhamento de rede celebrado junto com a TIM. A Porto Seguro ficará responsável pela operação, gestão de tráfego, emissão de contas, atendimento a clientes e acordos de interconexões.

Para a Porto Seguro, o MVNO reduz os custos com celular e facilita a comunicação de clientes e funcionários.

Anatel: operadoras virtuais podem ter 30% da telefonia móvel

Fonte: Agência Estado

Só neste ano, a agência já recebeu 20 pedidos de empresas para autorização dentro do novo modelo

A conselheira da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) Emília Ribeiro calcula que o recém-criado mercado de operadoras virtuais deve passar a representar, em até três anos, de 20% a 30% da telefonia móvel - um mercado que no ano passado movimentou R$ 74 bilhões.

Emília afirma que a agência já recebeu neste ano 20 pedidos de empresas para homologação ou autorização dentro do novo modelo, que permitirá que empresas fora do setor de telefonia atuem também como operadoras. Isso significa que supermercados, bancos e até times de futebol poderão oferecer linhas de celular de marca própria, com contas pré e pós-pagas e internet, tal como fazem hoje Claro, Nextel, Oi, TIM e Vivo.

"Uma loja de lingerie, por exemplo, pode oferecer um pacote de minutos vinculado a quanto o cliente gasta em compras", exemplifica. "E o aumento da concorrência em geral certamente levará à redução de preços."

Em três anos, Emília calcula que centenas de empresas terão se aventurado pela telefonia celular e se tornado operadoras virtuais. Carrefour, Pão de Açúcar, Estácio, Banco do Brasil, Caixa Econômica, Bradesco e Itaú, entre outras, entraram na fila ou mostraram à Anatel interesse no modelo, conhecido pelo nome em inglês Mobile Virtual Network Operator (MVNO), regulamentado no fim de 2010 pela agência.

A largada já foi dada com a Porto Seguro, a primeira a obter o sinal verde da Anatel, em fevereiro. A seguradora fechou parceria com a TIM e já está implementando o sistema. A empresa vai oferecer serviços para clientes e corretores, usando tecnologia também para o GPS de seus carros. "Vários países já têm MVNO. Onde existe, funciona e dá certo e só tem progredido", diz Emília, relatora da nova regulamentação.

As novas operadoras virtuais usarão a rede das operadoras tradicionais. O supermercado, o banco ou a loja de varejo poderão usar suas marcas sozinhas ou associadas com a operadora de origem. BB, Bradesco, Caixa e Itaú estudam, inclusive, oferecer celulares com sua marca impressa no aparelho.

Mercado poderá encontrar melhor associação

A regulamentação é ampla para que o próprio mercado encontre a melhor forma de associação, mas há dois modelos básicos em questão. No primeiro, o time de futebol, por exemplo, faz apenas um credenciamento junto à Anatel e estabelece o vínculo diretamente com uma grandes tele do setor, já autorizada pela agência e com direito de uso de radiofrequências.

O vínculo é formalizado por um contrato de representação, homologado pela Anatel. Neste caso, o credenciado não é considerado um prestador de serviços de telecomunicações e a maior carga de responsabilidade é assumida pela prestadora de origem, as grandes teles. São elas as responsáveis, junto a usuários e Anatel, pelo cumprimento dos direitos dos consumidores. Os números de telefone oferecidos serão aqueles que a operadora já detém direito e os usuários do serviço serão, em última análise, usuários da Claro, Nextel, Oi, TIM ou Vivo.

No segundo modelo, o operador virtual pede uma autorização (e não um credenciamento) para a Anatel e assume mais responsabilidades junto à agência e aos consumidores. "A única diferença é que as empresas não terão direito de uso de radiofrequência", diz Emília. Reclamação sobre o serviço, neste caso, seria com o próprio supermercado ou loja de varejo, por exemplo. As empresas também podem solicitar números de telefone direto com a Anatel.

Essa foi a opção da Porto Seguro. Como autorizada, a seguradora é considerada uma prestadora de serviços, com um contrato de compartilhamento de rede celebrado junto com a TIM. A Porto Seguro ficará responsável pela operação, gestão de tráfego, emissão de contas, atendimento a clientes e acordos de interconexões.

Para a seguradora, o serviço reduz os custos com celular e facilita a comunicação para clientes e funcionários. Para a TIM, que já negocia com novas potenciais parceiras, significa ampliar número de usuários e gerar novas receitas. A TIM pode, por exemplo, ser beneficiada por uma parceira com interesse em investir em infraestrutura em áreas hoje sem cobertura de celular e fora do foco da empresa.

Emília conta que uma rede relativamente pequena de varejo do Nordeste estuda investir em cabeamento para levar celular a uma região desabastecida e vender o serviço de celular para a clientela construída em outro setor de atuação. "A captação fica muito mais fácil e mais barata, a relação já está construída e é mais próxima", diz a conselheira.

A tendência, segundo ela, é a melhora da qualidade do serviço. "Temos que começar a tratar nossos usuários (de telefone) como clientes", diz. "O Brasil tem uma extensão territorial imensa, há vários estados ainda não plenamente atendidos. O MVNO certamente vai crescer muito", afirmou.