sábado, 24 de janeiro de 2015

IoT pode contribuir com US$ 14,2 tri para a produção global até 2030

Accenture aponta que o apoio de governos é crucial para avanço da IoT. Brasil precisa melhorar condições de suporte para adoção do conceito, afirma consultoria


Um relatório divulgado pela Accenture indica que a adoção de internet das coisas em ambiente industrial (IIoT, na sigla em inglês) pode contribuir com US$ 14,2 trilhões para a produção mundial até 2030. Essa cifra, contudo, pode não ser alcançada sem apoio de governos e reticências por parte das empresas sobre como extrair valor das iniciativas.
“A falta de compromisso com a “Internet das Coisas Industrial” ocorre em grande parte, à dificuldade de aplicá-la para obter novos fluxos de receita”, estampa o relatório ‘Winning with the Industrial Internet of Things’, divulgado pela consultoria. O documento baseia-se em entrevistas com 1,4 mil líderes de empresas globais, dos quais 736 CEOs.
Embora a maioria (57%) dos executivos que participaram do levantamento afirmem que novas receitas serão a maior oportunidade da IIoT, menos de um em cada sete (13%) acredita que sua empresa irá realmente se beneficiar desta forma. Além disso, mais de 70% das empresas ainda não têm de fazer planos concretos para aplicar internet das coisas em ambiente industrial. A pesquisa revela que apenas 7% dos entrevistados desenvolveram estratégias globais para este segmento.
Em vez disso, as suas empresas estão voltadas a usar a IIoT para ganhos de eficiência e enxergam a produtividade dos funcionários e as despesas operacionais reduzidas (citados por 46% e 44%, respectivamente) como os benefícios mais prováveis para suas empresas.
Impactos reais
A expectativa é que IoT em ambiente industrial permita a criação de novos serviços digitais e modelos de negócios baseados em dispositivos conectados e máquinas inteligentes, impulsione principalmente o crescimento de  mercados maduros.
O relatório da Accenture estima que o investimento nas tecnologias e os ganhos de produtividade adicionem US$ 6,1 trilhões ao PIB acumulado dos Estados Unidos ao final das próximas duas décadas.
Essa cifra saltaria para a US$ 7,1 trilhões caso os EUA invistam 50% a mais em tecnologias e na melhoria de fatores como suas habilidades e redes de banda larga. Isso elevaria o PIB do País em 2,3% a mais do que as projeções atuais.
A Alemanha pode aumentar seu PIB acumulado em US$ 700 bilhões, até 2030, com medidas adicionais semelhantes. Isso ampliaria a economia alemã em 1,7%. Projeções para o Reino Unido preveem o aumento do PIB para US$ 531 bilhões no mesmo período, com aumento de 1,8% do PIB frente ao projetado para o período.
A China parece mais pronta para ver maiores ganhos econômicos da IoT do que a Rússia, a Índia ou o Brasil. Com medidas reforçadas para impulsionar o conceito de internet das coisas, as medidas chinesas elevariam o PIB acumulado até US$ 1,8 trilhões em 2030, algo como 1,3% diante acima das projeções.
Más condições 
“Muitos países têm condições insuficientes de suporte para a rápida adoção da Internet das Coisas Industrial”, informa o relatório da Accenture. Essa lista traz nomes como Espanha, Itália, Rússia, Índia e Brasil como nações com as piores condições de apoio.
Os gargalos incluem infraestrutura limitada, habilidades ou bases institucionais necessárias para apoiar a adoção generalizada dessas novas tecnologias. O relatório sugere que as empresas terão de ajudar os governos a identificar melhorias para essas condições para incentivar um maior investimento e aumentar a escala de sua adoção da IoT.
Três formas de acelerar a adoção
A Accenture listou três áreas que as empresas precisam endereçar para ampliar a adoção de IoT em ambiente industrial.
1. Recriar modelos: As empresas terão de redesenhar suas organizações, parcerias e operações. Por exemplo, as empresas agroquímicas terão que colaborar com fornecedores de software, provedores de dados climáticos e operadores de satélite para melhorar o rendimento das colheitas em locais e condições específicas. Os fabricantes também podem descentralizar operações, já que tecnologias como a impressão 3D permitem que os produtos sejam produzidos mais perto dos clientes.
2. Capitalizar sobre o valor dos dados: Isso inclui o estabelecimento de padrões de interoperabilidade e de segurança para garantir que os dados sejam compartilhados com confiança entre as empresas. Novos modelos financeiros também serão necessários para apoiar o pay-per-use e outras ofertas baseadas em serviços.
3. Prepare-se para o futuro do trabalho: Com mais acesso aos dados, serão necessários ambientes de trabalho descentralizados para apoiar a tomada de decisões dos colaboradores na linha de frente. Novas estruturas organizacionais serão necessárias para permitir que os trabalhadores colaborem de forma mais criativa com os seus pares em empresas parceiras.

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